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150 anos

150 anos

Comboios em Portugal

Caminhos de Ferro
... Uma "Guerra" de Comboios e Índios


Há cerca de um mês, desfolhava eu o livro de História de Portugal do 2º Ano do Ciclo Preparatório Editado pelas Edições ASA nos anos 70 do Século Passado e da Autoria de Aníbal Barreira, A. do Carmo Reis e Zita Areal e na sua página 149 deparei com uma figura que apresenta os Caminhos de Ferro construídos até 1910, resolvi fazer uma comparação com o figurino actual, disponível no site da REFER e eis o resultado.

Vide Imagem: http://fotos.sapo.pt/joepimenta/pic/0000ztgf

Como poderão constatar neste esquema não apresento as linhas que entraram em funcionamento depois de 1910 e que foram desactivadas ou desmanteladas antes de 2006, esse é um trabalho para os entendidos na matéria e que estejam interessados em mostrar a evolução e regressão dos Caminhos de Ferro em Portugal nos últimos cem ou cento e cinquenta anos, a mim cabe-me mostrar a minha indignação ao analisar o resultado do discurso, tantas vezes proferido, que fala da necessidade de modernização de algumas linhas, na necessidade de implementação do TGV ou CAV - Comboio de Alta Velocidade e que simultaneamente afirma que comboio é o tipo de transporte menos dispendioso, mais seguro, mais cómodo, menos poluidor e um dos melhores, senão o melhor meio para aproximar as populações tanto no transporte de passageiros como de mercadorias.

Agora que já falei de Caminhos de Ferro e de Comboios, e antes que perguntem onde estão os índios desta história, refiro que esses são, obviamente, os que tendo um tipo de discurso, seguem políticas que em nada o respeitam"!

Nota Histórica:

Com a introdução da máquina a vapor em Portugal e a sua aplicação na indústria, sobretudo a partir de 1835, actualizou-se a nossa maneira de produzir. Os Governos constataram que era necessário criar meios de comunicação e transporte eficazes para desenvolver a indústria nacional.

Visando esse desenvolvimento, além de outras medidas, o País cobriu-se de Caminhos de Ferro. Essa política planeada durante os governos de Costa Cabral, que Governou o país de 1842 a 1846 e de 1849 a 1951, foi posteriormente concretizada por Fontes Pereira de Melo.

Foi assim, já durante a vigência do reinado de D. Pedro V "O Esperançoso" (1853-1861) que foi inaugurado, a 26 de Outubro de 1856, o Caminho de ferro com a ligação Lisboa - Carregado (Vala do Carregado).

js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt

Viagem ao passado na linha do Douro

28 de Outubro de 1856. A data está marcada na História por ter sido neste dia que se realizou a primeira viagem de comboio em Portugal. Foi há 150 anos que a primeira composição realizou o percurso entre Lisboa e o Carregado.

Nessa altura não havia estradas, nem sequer bons caminhos. Uma viagem de liteira, entre Lisboa e o Porto, demorava pelo menos cinco dias. Na mala-posta seriam, no mínimo, trinta e quatro horas. Um tempo recorde para a época!

Desde então, a evolução do caminho-de-ferro em Portugal (e em todo o mundo), registada na História como uma grande aventura humana, mudou e assinalou o desenvolvimento do País. O caminho-de-ferro foi, aliás, um dos principais motores do desenvolvimento da humanidade.

E tudo isto começou com pequenas locomotivas movidas a vapor. Actualmente, a CP continua a manter em funcionamento, durante alguns meses por ano, um exemplar destas locomotivas que transportaram milhares de pessoas ao longo do país. A viagem, realizada entre a estação da Régua e Tua, percorre as margens do Douro e transporta os passageiros numa verdadeira viagem no tempo.

Hoje em dia há já várias formas de chegar até à Régua mas, para quem procura a emoção e conforto das viagens de comboio, a melhor opção é viajar do Porto até à Régua numa das composições que realiza este percurso e, aí, fazer o transbordo para a locomotiva a vapor.

A paisagem ao longo desta linha, inaugurada em 2 de Dezembro de 1887, já pelas mãos da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, varia entre o verde constante e as casas e quintas das gentes que vivem ao longo do percurso atravessado pelo caminho-de-ferro.

Logo depois da estação de Caíde, o comboio entra num túnel rompendo as entranhas da terra deixando os passageiros nas trevas por mais de 40 segundos. Tempo mais do que suficiente para dar o devido valor à luz que surge logo de seguida.

A vida e as hortas das pessoas estendem-se até à linha aproveitando ao máximo todos os pedaços de terra fértil. O desejo pelo desenvolvimento das cidades começa a confundir-se com a nostalgia da vida trabalhosa mas relaxante do campo.

Ao fim de uma hora de viagem, ainda falta outro tanto até à Régua, a paisagem vai ficando mais verde. Há cada vez menos casas e começa a adivinhar-se o Douro e as suas encostas repletas de vinhas.

Quando finalmente a linha encontra o Douro, a paisagem sofre nova mutação. As encostas, que se elevam nas duas margens, formam desenhos hipnóticos que dão a ilusão de ter sido traçados a régua e esquadro numa folha de papel.

Em verdadeiras cenas para “turista” avistam-se ao longe, na outra margem, as marcas que dão nome ao afamado vinho do Porto.

As máquinas fotográficas e câmaras de vídeo ficam sem descanso nas mãos de quem quer gravar para o futuro um momento tirado de um passado longínquo. Mas é ao chegar à Régua que a emoção cresce.

Vapor nas margens do Douro

Na gare da estação da Régua já aguarda, com toda a imponência, a locomotiva a vapor conhecida como “Comboio Histórico”. A nauguração do primeiro troço da Linha do Tua (que ligava Tua a Bragança) realizou-se a29 de Setembro de 1887 e contou com a presença de El-Rei Dom Luís, da rainha D. Maria Pia, de vários ministros e convidados, salientando-se o artista Rafael Bordalo Pinheiro.

Foi um acontecimento histórico na época e ainda hoje o exemplar destas locomotivas continua a fazer as delícia de miúdos e graúdos que se atropelam junto à composição para ver os maquinistas a preparar a “máquina” para a viagem.

Carvão na fornalha, água na caldeira e o vapor começa a sair da chaminé. Controlada a pressão “se houver um violino até voa”, garante o maquinista em tom de brincadeira quando lhe perguntam se o comboio anda depressa. Mas seria preciso uma verdadeira orquestra para a locomotiva ganhar asas. Os 30 km do percurso entre a Régua e Tua demoram cerca de 2h30 a percorrer. A viagem é feita para apreciar a vista única do Douro e, além disso, tal como noutros tempos, é preciso parar pelo caminho para abastecer de água e lubrificar os mecanismos. A máquina queima cerca de 2500 quilos de carvão e três mil litros de água no percurso da Régua ao Tua e volta.

Cada paragem é motivo para mais uma reunião dos passageiros em torno da máquina. A caldeira ferve, os flashs não param. Mesmo ao longo de todo o percurso, as pessoas juntam-se às dezenas nas estações e apeadeiros para, literalmente, ver passar o comboio.

Mais do que palavras que a descrevam, esta é uma viagem que fica na memória de todos os que a fazem. Fica um conselho. Tal como antigamente, o vapor da máquina acaba por libertar partículas de carvão que deixam os passageiros pintalgados de negro. Nos tempos idos, quando não havia alternativa, os passageiros viajavam com uma muda de roupa para trocar na chegada ao destino. Não será má ideia seguir o exemplo.

Viagens na nossa terra

Os tempos mudam, incluindo os da duração de uma viagem. Se em 1891, data em que decorreu a primeira viagem na linha da Beira Baixa - através da ligação entre Abrantes e Covilhã -, o percurso era moroso, hoje em dia em pouco mais de três horas chega-se de Lisboa a Castelo Branco em qualquer comboio regional.

Entre o ponto de origem e o de destino, é difícil escolher qual o local de passagem mais aliciante, dada a diversidade do conjunto e a singularidade de cada estação. Partindo de Santa Apolónia, passando logo a seguir para a também lisboeta mas contrastante estação do Oriente, a viagem tem início com uma curiosa ligação entre tradição e modernidade, dada a oposição entre uma estação com uma estrutura convencional e outra com um design mais futurista.

Nas proximidades de Vila Franca de Xira e Santarém a despedida da Estremadura e a entrada no Ribatejo é feita com a proeminência dos azulejos de ambas as estações e com as primeiras lezírias que as interligam, onde se torna claro que as paisagens urbanas ficaram para trás. Os azulejos de Vila Franca são prova disso, uma vez que as suas imagens referem-se a actividades da vida rural e antecipam já a entrada em cenários vincados por atmosferas bucólicas.

Ao chegar ao Entroncamento, o fluxo de passageiros aumenta e a sua heterogeneidade alarga-se, e a viagem passa por outras zonas envolventes como Vila Nova da Barquinha e, claro, Almourol, localidade conhecida sobretudo pelo seu castelo situado atipicamente em pleno rio Tejo. Este monumento secular é um dos marcos históricos mais emblemáticos da região e contemplá-lo impõe-se como um dos requisitos obrigatórios deste percurso.

Para além de acolher o castelo de Almourol, o Tejo surge como um ocasional companheiro de viagem, sendo adornado ora por vastas planícies ora por terrenos mais acidentados, estes maioritariamente na segunda metade do trajecto. Abrantes é uma das cidades que se encontra banhada pelo rio, e é a partir desta estação que os montes se tornam mais predominantes, não raras vezes ocupados por densos pinhais.

Em pouco mais de uma hora o comboio chega já a Castelo Branco, marcando no caminho a passagem por Alferrarede, Barragem de Belver ou Ródão, entre outras estações da linha da Beira-Baixa. Apesar da viagem pelos caminhos-de-ferro poder ficar por aí, a cidade convida à descoberta de mais espaços verdes, nomeadamente os do Jardim do Paço, um dos pontos de visita obrigatória.
No regresso, pode repetir-se a viagem em sentido contrário, voltando à capital, ou então continuar rumo ao norte para visitar, daí a pouco mais de uma hora, a Covilhã ou um dos locais de passagem até lá. De preferência do lado da janela, já que vistas como estas são uma irrecusável mais-valia.

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